Ando por terras bem distintas. Vejo cores, murais simbólicos, pessoas carregam um passado Mapuche nos traços, entendo a língua, a cultura estrangeira, passo por alamedas e veredas e me coloco em lugares atravessados por quem nunca se imaginou ali. Por aquele que sai pelo mundo em busca de uma independência par, um alguém para se encontrar, para se enxergar em si mesmo. Entendo os modismos, as gírias, as comidas carregadas de ají, choclo e mariscos. Entro na Luís Beltran, cruzo a Colo Colo e encontro um aconchego. Persisto na pronúncia-cão da palavra Irarrazavál para buscar me localizar na cidade. Chego a Plaza de Armas e viajo na sua história. Corro por entre parques e desconhecidos para respirar e eu sou aquele viajante do tropical, do absoluto, da vida em progresso. Quero cenas, quero arte, quero o mais, o que se multiplica, o que absorve. São verbos, páginas, olhares, dilemas, é a mãe da minha amiga, é o coração recolhendo seus cacos, é o lar ganhando significados ímpares. É minha mãe, distante, longe, dentro. Sou eu agora, vivendo de arrumar malas, de agendar apresentações, de dar um passo de cada vez, um bem longo, quase inalcançável, outro milimétrico, fino, sintonia fina de uma ‘antena delicadíssima’ ao passo do percurso, da história que se entrelaça. É como um escultor que vai lapidando sua pedra. Agora, a imagem começa a aparecer: olhos, boca, pernas, coração. Cabeça. Como um edifício que é implodido e retroescavadeiras vão à busca do melhor que restou para construir um novo empreendimento. Agora estou perto de chegar. Agora, o futuro é cada vez mais agora e eu estou bem.
Janeiro de 2013.
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